A terapêutica a ser
adotada dependerá dos resultados da investigação
inicial e das taxas de sucesso. Dependendo da gravidade do distúrbio
masculino, o tratamento pode ser simples ou complexo. As opções
disponíveis são o tratamento medicamentoso, a inseminação
artificial intra-uterina com superovulação (IIU),
a inseminação artificial com sêmen de doador
anônimo, a fertilização in vitro (FIV) e a fertilização
através da técnica de injeção intracitoplasmática
de espermatozóide (ICSI).
O tratamento medicamentoso consiste em corrigir um distúrbio
conhecido como hipogonadismo hipogonadotrófico, no qual os
testículos não produzem os espermatozóides
devido à estimulação hormonal inadequada feita
pelo hipotálamo ou pela hipófise. São repostos
os hormônios necessários (gonadotrofinas) para a estimulação
testicular e produção dos espermatozóides.
Alguns medicamentos têm sido utilizados também para
tratar os casos de impotência.
O objetivo da inseminação intra-uterina (IIU) é
a introdução de uma quantidade de espermatozóides
no útero da mulher, no sentido de facilitar o encontro entre
esses espermatozóides e o óvulo e, desta forma, facilitar
a fertilização.
Na maioria dos casais, a IIU utiliza o esperma do marido/parceiro
da paciente. No entanto, em determinadas circunstâncias, está
indicada a utilização de amostras de sêmen de
doadores anônimos. Este procedimento é reservado apenas
para casos de infertilidade masculina nos quais o esperma do próprio
marido/parceiro é completamente anormal (quantidade de espermatozóides
muito baixa ou igual a zero, formato ou motilidade muito alterados).
Estima-se que um entre oito casais com infertilidade necessita deste
tipo de tratamento. A utilização de sêmen de
doador deve ser discutida e bem aceita pelo casal. É um processo
emocionalmente difícil que requer acompanhamento psicológico.
A IIU não é eficaz nos casos em que há contagem
muito baixa de espermatozóides ou alterações
importantes na sua morfologia.
A FIV é a técnica do "bebê de proveta",
procedimento amplamente praticado em todo o mundo. Em resumo, na
FIV vários óvulos são removidos do ovário,
fertilizados em laboratório com espermatozóides do
marido/parceiro e os embriões resultantes selecionados são
transferidos para o interior do útero da paciente. As modernas
técnicas de preparo de sêmen podem melhorar a viabilidade
das amostras de espermatozóides e tornar a fertilização
mais provável.
A infertilidade masculina vem sendo tratada com sucesso em muitos
casos através de modernas técnicas de "micromanipulação"
de gametas. A técnica que utiliza a injeção
intracitoplasmática de espermatozóide (ICSI) permite
a introdução de um único espermatozóide
no interior de um óvulo e, assim, promover a fertilização.
Desta maneira, a ICSI significa uma alternativa de tratamento para
aqueles casos mais graves de infertilidade masculina e pode, em
alguns casos, substituir a inseminação intra-uterina
com sêmen de doador.
A taxa de fertilização da ICSI está em torno
de 70%. Os índices de gravidez e de crianças nascidas
são muito semelhantes aos encontrados na FIV convencional.
Essa técnica foi desenvolvida para tratar a infertilidade
de homens que produzem pequena quantidade de espermatozóides
e aqueles que não possuem nenhum espermatozóide no
ejaculado, devido à obstrução ou outros distúrbios
testiculares. Nesses casos, os espermatozóides podem ser
obtidos diretamente do epidídimo ou do testículo através
de uma punção ou microcirurgia.
Uma técnica conhecida como aspiração epididimal
do esperma (MESA) retira uma pequena amostra de sêmen do epidídimo
e utiliza esses espermatozóides recuperados para fertilização
dos óvulos através da ICSI. Outra técnica semelhante,
na qual os espermatozóides são retirados de uma biópsia
testicular (TESA) também auxilia na tarefa de se recuperar
o espermatozóide do próprio parceiro/marido para a
fertilização dos óvulos da paciente.
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